Jesus e Nisargadatta: Quem É Você Antes de Ser Alguém?

Silhouetted person standing in a stone doorway overlooking sunlit countryside

Jesus diz:

“O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita.”

Nisargadatta pergunta:

Quem é você antes de dizer o que é?

Entre essas duas frases talvez esteja quase todo o caminho espiritual.

Passamos a vida dizendo:

Eu sou este corpo.
Eu sou este nome.
Eu sou esta história.
Eu sou aquilo que aconteceu comigo.
Eu sou meus sucessos.
Eu sou minhas feridas.
Eu sou meus medos.

Mas tudo isso apareceu depois do simples fato:

Eu sou.

Antes de “eu sou alguém”, existe simplesmente o ser.

E talvez o despertar comece quando deixamos de confundir aquilo que aparece com aquilo que somos.

A Pessoa Aparece

O corpo muda.

Os pensamentos mudam.

As emoções mudam.

As crenças mudam.

Nossa história muda.

Tudo aquilo que normalmente chamamos de “eu” está constantemente mudando.

Por isso Nisargadatta nos convida a olhar mais profundamente.

Se você pode observar o corpo, você não é apenas o corpo.

Se pode observar os pensamentos, você não é apenas pensamento.

Se pode observar a personalidade, talvez a personalidade não seja sua identidade final.

Jesus aponta para além da carne, em direção ao espírito.

Não porque o corpo deva ser desprezado.

Mas porque o corpo não pode nos dizer aquilo que somos em última instância.

Nascer de Novo

Jesus disse:

“Necessário vos é nascer de novo.”

Talvez esse novo nascimento seja a morte de uma identidade equivocada.

A velha identidade diz:

Sou separado.

Sou vulnerável.

Posso perder aquilo que sou.

Posso ser destruído.

O novo nascimento começa quando surge outra possibilidade:

Aquilo que realmente sou talvez não seja a pessoa que passei a vida inteira defendendo.

Isso não é aperfeiçoar o ego.

É questioná-lo.

O Reino Não Está em Outro Lugar

Jesus disse que o Reino de Deus está dentro de nós.

Nisargadatta conduzia continuamente o buscador de volta ao simples sentimento de ser.

Ambos interrompem nosso movimento incessante para fora.

Procuramos paz nas circunstâncias.

Completude nos relacionamentos.

Segurança nas posses.

Deus em algum lugar distante.

Mas talvez a distância entre nós e a Verdade nunca tenha realmente existido.

Talvez apenas uma identidade equivocada estivesse no caminho.

O Amor É Reconhecimento

O ensinamento de Jesus de amar os inimigos é quase impossível para o eu separado.

O ego vive através das divisões:

eu e você,

amigo e inimigo,

inocente e culpado,

vítima e agressor.

Mas se nossa natureza mais profunda não é separação, então o amor torna-se algo maior do que uma obrigação moral.

O amor torna-se reconhecimento.

E o perdão passa a ser a disposição de olhar além da pessoa temporária em direção àquilo que jamais pode ser verdadeiramente dividido.

Antes do “Eu Sou”

Nisargadatta finalmente vai além até mesmo do “eu sou”.

A experiência de estar consciente aparece e desaparece.

O que, então, existe antes da própria consciência?

Ele chama isso de Absoluto.

Jesus fala do Pai.

Não precisamos fingir que os dois ensinamentos são idênticos.

Mas ambos acabam conduzindo o pensamento ao seu limite.

Chega um ponto em que a Realidade não pode mais ser explicada.

Só pode haver entrega.

O Que Permanece?

Retire o nome.

Retire a história.

Retire o corpo como identidade.

Retire as lembranças.

Retire todas as descrições que você alguma vez deu de si mesmo.

O que permanece?

Primeiro:

Eu sou.

E por trás até mesmo disso?

Silêncio.

Jesus aponta para o Espírito.

Nisargadatta aponta para o Absoluto.

E ambos nos deixam diante da pergunta que a mente nunca poderá responder completamente:

Quem é você antes de ser alguém?

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