Passamos grande parte da vida tentando nos tornar algo.
Queremos nos tornar mais sábios, mais espirituais, mais realizados, mais amados. Procuramos experiências, conhecimentos, estados especiais de consciência e respostas para as grandes perguntas da existência.
Mas e se a própria busca estiver escondendo aquilo que procuramos?
Antes de qualquer conquista, antes de qualquer fracasso, antes de qualquer identidade, existe algo simples e silencioso: o fato de que somos.
Não o “eu sou isto” ou “eu sou aquilo”, mas apenas o puro sentimento de ser.
Esse Ser não precisa ser criado. Não precisa ser aperfeiçoado. Não precisa ser defendido. Ele já está presente antes do primeiro pensamento da manhã e permanece quando os pensamentos se recolhem à noite.
Talvez a verdadeira espiritualidade não seja adicionar algo a nós mesmos, mas reconhecer aquilo que nunca esteve ausente.
O mundo muda. O corpo muda. As crenças mudam. As emoções mudam.
Mas aquilo que conhece todas as mudanças permanece.
Nisargadatta Maharaj apontava para essa simplicidade quando convidava seus visitantes a permanecerem apenas com o sentimento “Eu Sou”. Não para alcançar algo extraordinário, mas para descobrir o que sempre esteve aqui.
Talvez o maior mistério não seja o universo.
Talvez o maior mistério seja a presença silenciosa que, neste exato momento, está lendo estas palavras.
E que já estava aqui antes delas aparecerem.

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