Passamos boa parte da vida tentando encontrar algo.
Procuramos felicidade, amor, paz, realização, iluminação ou Deus. Acreditamos que existe uma peça faltando e que, em algum lugar do futuro, finalmente a encontraremos.
Mas e se a própria sensação de falta for o equívoco?
Imagine alguém procurando desesperadamente pelos próprios óculos enquanto eles já estão sobre seu rosto. Todo esforço de busca apenas reforça a crença de que os óculos estão ausentes.
Talvez a busca espiritual contenha um paradoxo semelhante.
Aquilo que procuramos não está escondido atrás de uma montanha, em uma caverna do Himalaia ou em um estado especial de consciência. Está presente antes de qualquer experiência. É aquilo que torna toda experiência possível.
Pensamentos aparecem e desaparecem.
Emoções aparecem e desaparecem.
Sensações aparecem e desaparecem.
Corpos nascem e morrem.
Mas existe algo que permanece durante todas essas mudanças.
Esse algo não pode ser visto como um objeto, porque é o próprio observador. Não pode ser pensado, porque está presente antes do pensamento. Não pode ser encontrado, porque jamais esteve perdido.
Talvez a verdadeira espiritualidade não seja adquirir conhecimento, mas abandonar as falsas conclusões.
Não se trata de alcançar o Ser.
Trata-se de reconhecer que nunca fomos outra coisa.
A amnésia pode parecer longa.
Mas a lembrança está sempre a apenas um instante de distância.
Ou, mais precisamente, está aqui agora.

Deixe uma resposta