O Silêncio Antes do “Eu Sou”
Antes de qualquer pensamento, antes de qualquer história pessoal, antes mesmo da sensação de ser “alguém”, há uma presença silenciosa.
Nisargadatta nos convida a permanecer no sentido “Eu Sou”, não como uma frase mental, mas como a simples certeza de existir. Antes de dizermos “sou isto” ou “sou aquilo”, existe apenas o fato puro: Eu Sou.
Um Curso em Milagres aponta na mesma direção quando ensina que o mundo que percebemos nasceu de uma ideia de separação. O ego diz: “sou um corpo, sou uma pessoa, estou separado de Deus”. Mas o Espírito lembra: “você continua como Deus o criou”.
Jesus, no UCEM, não nos pede para aperfeiçoar o personagem do sonho, mas para despertar dele. Nisargadatta, de outro modo, também nos diz: investigue quem é esse “eu” que sofre, deseja, teme e busca.
Quando permanecemos quietos, vemos que o corpo aparece, os pensamentos aparecem, as emoções aparecem — mas aquilo que percebe tudo isso não aparece como objeto. É anterior. É silencioso. É livre.
O sofrimento começa quando o puro “Eu Sou” se veste com nomes, memórias, culpas e medos. A paz começa quando deixamos de defender essa identidade separada.
Não precisamos fabricar a Verdade.
Não precisamos alcançar Deus como se Ele estivesse longe.
Precisamos apenas reconhecer o que nunca foi perdido.
Antes do corpo, antes do mundo, antes da culpa, antes da busca:
há o Ser.
E esse Ser não está separado de Deus.

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