Texto 17/05/2026

A amnésia do Absoluto

Nisargadatta nos convida a permanecer no simples sentimento “eu sou”, antes de qualquer história pessoal. Jesus, em Um Curso em Milagres, nos chama a lembrar que não somos o corpo, nem a culpa, nem o personagem ferido que acreditamos ser.

Em linguagens diferentes, ambos apontam para a mesma direção: houve uma espécie de esquecimento. O Absoluto, que é inteiro, livre e sem forma, parece ter adormecido no sonho de ser alguém separado. Surge então o “eu”: um corpo, uma biografia, um passado, um medo, uma esperança.

Mas esse “eu” nunca foi a verdade final.

Nisargadatta diz: investigue quem é esse que sofre. O Curso diz: o Filho de Deus apenas sonha que se separou do Pai. Um fala da consciência “eu sou”; o outro fala do Cristo em nós. Mas ambos desfazem a mesma ilusão: a crença de que somos pequenos, culpados e isolados.

O corpo vai passar. A história vai passar. As opiniões, vitórias e fracassos também passarão. Mas Aquilo que percebe tudo isso não passa.

Talvez espiritualidade não seja conquistar algo novo, mas parar de defender uma identidade que nunca foi real. Não precisamos fabricar Deus. Não precisamos nos tornar o Absoluto. Apenas precisamos reconhecer que nunca deixamos de ser Aquilo.

A amnésia termina quando, por um instante, deixamos de insistir no personagem.

E então resta o silêncio.

Não um silêncio vazio, mas o silêncio vivo do Ser.

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