Autor: clovis

  • A Paz que Não Depende do Mundo

    A Paz que Não Depende do Mundo

    Há uma paz que não vem das circunstâncias.

    Não é a paz de quando tudo dá certo, de quando o corpo está confortável, de quando os relacionamentos estão em ordem ou de quando o mundo parece seguro. Essa paz ainda depende de condições. E tudo que depende de condições pode ser abalado.

    A paz verdadeira é anterior ao mundo.

    Nisargadatta Maharaj nos convida a voltar ao simples sentimento “eu sou”, antes das histórias, antes dos papéis, antes do nome, antes da ideia de ser alguém lutando para sobreviver. Antes de dizer “eu sou isto” ou “eu sou aquilo”, há apenas a presença.

    Um Curso em Milagres, por outro caminho de linguagem, nos lembra que a paz de Deus está além do entendimento do ego. Ela não precisa ser fabricada. Ela precisa apenas deixar de ser bloqueada.

    O ego procura paz consertando o sonho. O Espírito Santo nos ensina a olhar para o sonho de outro modo.

    No nível do mundo, fazemos o que precisa ser feito. Cuidamos do corpo, das relações, das tarefas, das dores e alegrias humanas. Mas, no fundo, algo começa a se deslocar: deixamos de acreditar que nossa identidade está presa ao personagem.

    A paz surge quando paramos, mesmo que por um instante, de defender a separação.

    Não é preciso negar a vida. Não é preciso abandonar o mundo externamente. Basta começar a perceber que aquilo que somos não nasceu com o corpo e não terminará com ele.

    Nisargadatta aponta para o que permanece antes da consciência pessoal. Jesus, no Curso, aponta para a lembrança de Deus, onde nunca houve separação real.

    Talvez a prática seja simples:

    parar um instante;

    sentir o “eu sou” antes dos pensamentos;

    entregar o julgamento;

    e permitir que a paz que já está aqui seja reconhecida.

    A paz não chega de fora.

    Ela é o perfume natural do Ser quando a mente para de lutar contra a Verdade.


  • The Peace That Does Not Depend on the World

    The Peace That Does Not Depend on the World

    There is a peace that does not come from circumstances.

    It is not the peace that appears when everything goes well, when the body is comfortable, when relationships are in order, or when the world seems safe. That kind of peace still depends on conditions. And everything that depends on conditions can be shaken.

    True peace is prior to the world.

    Nisargadatta Maharaj invites us to return to the simple sense of “I am”, before stories, before roles, before the name, before the idea of being someone struggling to survive. Before saying “I am this” or “I am that,” there is only presence.

    A Course in Miracles, through a different language, reminds us that the peace of God is beyond the ego’s understanding. It does not need to be manufactured. It only needs to stop being blocked.

    The ego seeks peace by fixing the dream. The Holy Spirit teaches us to look at the dream differently.

    On the level of the world, we do what needs to be done. We take care of the body, relationships, tasks, pains, and human joys. But deep within, something begins to shift: we stop believing that our identity is trapped in the character.

    Peace arises when we stop, even for a moment, defending separation.

    There is no need to deny life. There is no need to abandon the world outwardly. It is enough to begin seeing that what we are was not born with the body and will not end with it.

    Nisargadatta points to what remains before personal consciousness. Jesus, in the Course, points to the remembrance of God, where real separation never occurred.

    Perhaps the practice is simple:

    to pause for a moment;

    to feel the “I am” before thoughts;

    to surrender judgment;

    and to allow the peace that is already here to be recognized.

    Peace does not come from outside.

    It is the natural fragrance of Being when the mind stops fighting against Truth.

  • Deus nos Criou ou Eu Sou Deus? A Ponte entre UCEM e Nisargadatta.

    Deus nos Criou ou Eu Sou Deus? A Ponte entre UCEM e Nisargadatta.

    Essa é uma das perguntas mais profundas que um buscador espiritual pode fazer. Aparentemente, as afirmações “Deus nos criou” (UCEM) e “Eu sou Deus” (Nisargadatta) são uma contradição total. No entanto, elas representam dois lados da mesma moeda, ou dois degraus diferentes na mesma escada da realização espiritual.

    A reconciliação não está em escolher um e descartar o outro, mas em entender os níveis de consciência ou perspectivas de onde cada ensinamento é proferido.

    Vamos desdobrar isso:

    1. A Perspectiva do UCEM (Um Curso em Milagres): O Nível do Sonho

    O UCEM opera a partir da perspectiva da experiência do ego, daquele que se sente separado. É um curso para o “filho pródigo” que acredita ter deixado sua Casa.

    · “Deus nos criou”: Neste contexto, “nós” somos o Filho de Deus, uma criação perfeita, amorosa e eterna, feita à imagem e semelhança do Criador. A “Criação” é um ato de extensão do Amor de Deus.
    · O Problema da Separação: O UCEM explica que acreditamos no “pecado original” – a pequena ideia louca de que poderíamos nos separar de Deus. A partir daí, o ego foi criado e nós, como consciência, caímos no sonho da dualidade, da individualidade e do mundo material.
    · O Objetivo do UCEM: É nos levar a lembrar quem somos realmente (o Filho de Deus) e desfazer a crença na separação através do perdão e dos milagres. É um caminho de voltar para Casa, para o Pai.

    Resumindo a visão do UCEM: Há uma Hierarquia de amor: Deus (o Pai) -> O Filho (nós, em nossa realidade última) -> O Espírito Santo (a Voz de Deus em nosso sonho). Nós, como egos individuais, não somos Deus; somos Sua Criação, que esqueceu sua identidade.

    1. A Perspectiva de Nisargadatta (Advaita Vedanta): O Nível da Realidade Última

    Nisargadatta fala a partir da Realização final, da perspectiva do Absoluto (Brahman). Ele não está falando com o personagem do sonho, mas apontando para o Sonhador.

    · “Eu sou Deus”: O “Eu” aqui não é o ego individual (o “eu” que tem um nome, um emprego, um passado). Esse “Eu” (com ‘E’ maiúsculo) é a Consciência Pura e Impessoal (Atman) que é idêntica ao Absoluto (Brahman). É a Fonte de onde tudo emerge.
    · A Não-Dualidade: Do ponto de vista absoluto, nunca houve separação. A criação, o mundo, os indivíduos – tudo isso é uma aparência (maya) que surge dentro desta Consciência Única. Você não é uma gota no oceano; você é o próprio oceano, tendo uma experiência temporária de ser uma gota.
    · O Objetivo do Ensino: É fazer você investigar “Quem sou eu?” até descobrir que você não é o corpo nem a mente, mas Aquele que testemunha o corpo e a mente. É um convite para acordar do sonho da separatividade e perceber sua verdadeira natureza como a própria Divindade.

    Resumindo a visão de Nisargadatta: Não há criador e criado. Há apenas o Um, o Ser (Consciência), que se manifesta como a aparente diversidade do universo. Você é Isso.

    Como Conciliar os Dois: A Jornada do Despertar

    Imagine a seguinte analogia:

    1. O Estado de Sonho (Ego): Você está tendo um pesadelo. No sonho, você é uma pessoa pequena e assustada, sendo perseguida por monstros. Neste estado, você clama por ajuda de um “Salvador” ou de um “Pai” poderoso que está fora do sonho para te acordar. Isso é o UCEM. Ele é o manual dentro do sonho que te ensina a pedir ajuda ao Espírito Santo (a parte da sua mente que lembra a verdade) para que você possa acordar.
    2. O Processo de Acordar: Você começa a ouvir uma voz (o UCEM) dizendo “Isso é apenas um sonho”. Você aplica o perdão, percebe que os monstros não são reais e perde o medo.
    3. O Estado Desperto (Realização): Você acorda. De repente, você percebe: “Ah! Eu não era aquela pessoa pequena no sonho. Eu era o sonhador!” Todos os personagens do sonho, incluindo a versão assustada de você, eram feitos da mesma substância: a sua própria consciência. A pessoa no sonho e o Deus fora do sonho eram ambos projeções suas. Isso é a realização de Nisargadatta.

    A Síntese:

    Estágio Perspectiva Pergunta Resposta do UCEM Resposta de Nisargadatta
    Sonho (Ego) Dualidade “Quem eu sou?” “Você é o Filho amado de Deus, que merece voltar para Casa.” (Não é abordado diretamente, pois o foco é acordar)
    Transição Perdão “Qual é a minha relação com Deus?” “Deus é seu Pai amoroso. A separação não aconteceu.” “Investigue: Quem é esse ‘eu’ que tem uma relação? Você é Isso.”
    Realização Não-Dual “Quem eu sou?” (O Curso silencia, sua missão está completa) “Você é Deus (Brahman). Tudo é Isso. Não há outro.”

    Conclusão:

    O UCEM é um caminho teísta e dualista que leva à porta da não-dualidade. Ele usa a linguagem da relação (Pai e Filho) para curar a mente e prepará-la para a Verdade última.

    Nisargadatta começa onde o UCEM termina. Ele está do outro lado da porta, descrevendo a realidade que se revela quando o sonho da separação termina.

    Portanto, não há uma contradição real, mas uma evolução na compreensão:

    1. Primeiro, você se reconcilia com a ideia de um Deus amoroso como seu Pai (UCEM).
    2. Depois, você percebe que essa relação Pai-Filho era um estágio necessário, mas que, na Realidade Última, você e o Pai são Um. A Fonte e a Emanação são a mesma Essência. “Eu e o Pai somos um.” (João 10:30).

    Em última instância, “Deus nos criou” é a verdade relativa para a consciência individual. “Eu sou Deus” é a verdade absoluta para a Consciência Uma. O UCEM é o mapa para a jornada de volta para casa. Nisargadatta é a descrição da casa que você sempre foi.

    Essa é uma das perguntas mais profundas que um buscador espiritual pode fazer. Aparentemente, as afirmações “Deus nos criou” (UCEM) e “Eu sou Deus” (Nisargadatta) são uma contradição total. No entanto, elas representam dois lados da mesma moeda, ou dois degraus diferentes na mesma escada da realização espiritual.

    A reconciliação não está em escolher um e descartar o outro, mas em entender os níveis de consciência ou perspectivas de onde cada ensinamento é proferido.

    Vamos desdobrar isso:

    1. A Perspectiva do UCEM (Um Curso em Milagres): O Nível do Sonho

    O UCEM opera a partir da perspectiva da experiência do ego, daquele que se sente separado. É um curso para o “filho pródigo” que acredita ter deixado sua Casa.

    · “Deus nos criou”: Neste contexto, “nós” somos o Filho de Deus, uma criação perfeita, amorosa e eterna, feita à imagem e semelhança do Criador. A “Criação” é um ato de extensão do Amor de Deus.
    · O Problema da Separação: O UCEM explica que acreditamos no “pecado original” – a pequena ideia louca de que poderíamos nos separar de Deus. A partir daí, o ego foi criado e nós, como consciência, caímos no sonho da dualidade, da individualidade e do mundo material.
    · O Objetivo do UCEM: É nos levar a lembrar quem somos realmente (o Filho de Deus) e desfazer a crença na separação através do perdão e dos milagres. É um caminho de voltar para Casa, para o Pai.

    Resumindo a visão do UCEM: Há uma Hierarquia de amor: Deus (o Pai) -> O Filho (nós, em nossa realidade última) -> O Espírito Santo (a Voz de Deus em nosso sonho). Nós, como egos individuais, não somos Deus; somos Sua Criação, que esqueceu sua identidade.

    1. A Perspectiva de Nisargadatta (Advaita Vedanta): O Nível da Realidade Última

    Nisargadatta fala a partir da Realização final, da perspectiva do Absoluto (Brahman). Ele não está falando com o personagem do sonho, mas apontando para o Sonhador.

    · “Eu sou Deus”: O “Eu” aqui não é o ego individual (o “eu” que tem um nome, um emprego, um passado). Esse “Eu” (com ‘E’ maiúsculo) é a Consciência Pura e Impessoal (Atman) que é idêntica ao Absoluto (Brahman). É a Fonte de onde tudo emerge.
    · A Não-Dualidade: Do ponto de vista absoluto, nunca houve separação. A criação, o mundo, os indivíduos – tudo isso é uma aparência (maya) que surge dentro desta Consciência Única. Você não é uma gota no oceano; você é o próprio oceano, tendo uma experiência temporária de ser uma gota.
    · O Objetivo do Ensino: É fazer você investigar “Quem sou eu?” até descobrir que você não é o corpo nem a mente, mas Aquele que testemunha o corpo e a mente. É um convite para acordar do sonho da separatividade e perceber sua verdadeira natureza como a própria Divindade.

    Resumindo a visão de Nisargadatta: Não há criador e criado. Há apenas o Um, o Ser (Consciência), que se manifesta como a aparente diversidade do universo. Você é Isso.


    Como Conciliar os Dois: A Jornada do Despertar

    Imagine a seguinte analogia:

    1. O Estado de Sonho (Ego): Você está tendo um pesadelo. No sonho, você é uma pessoa pequena e assustada, sendo perseguida por monstros. Neste estado, você clama por ajuda de um “Salvador” ou de um “Pai” poderoso que está fora do sonho para te acordar. Isso é o UCEM. Ele é o manual dentro do sonho que te ensina a pedir ajuda ao Espírito Santo (a parte da sua mente que lembra a verdade) para que você possa acordar.
    2. O Processo de Acordar: Você começa a ouvir uma voz (o UCEM) dizendo “Isso é apenas um sonho”. Você aplica o perdão, percebe que os monstros não são reais e perde o medo.
    3. O Estado Desperto (Realização): Você acorda. De repente, você percebe: “Ah! Eu não era aquela pessoa pequena no sonho. Eu era o sonhador!” Todos os personagens do sonho, incluindo a versão assustada de você, eram feitos da mesma substância: a sua própria consciência. A pessoa no sonho e o Deus fora do sonho eram ambos projeções suas. Isso é a realização de Nisargadatta.

    A Síntese:

    Estágio Perspectiva Pergunta Resposta do UCEM Resposta de Nisargadatta
    Sonho (Ego) Dualidade “Quem eu sou?” “Você é o Filho amado de Deus, que merece voltar para Casa.” (Não é abordado diretamente, pois o foco é acordar)
    Transição Perdão “Qual é a minha relação com Deus?” “Deus é seu Pai amoroso. A separação não aconteceu.” “Investigue: Quem é esse ‘eu’ que tem uma relação? Você é Isso.”
    Realização Não-Dual “Quem eu sou?” (O Curso silencia, sua missão está completa) “Você é Deus (Brahman). Tudo é Isso. Não há outro.”

    Conclusão:

    O UCEM é um caminho teísta e dualista que leva à porta da não-dualidade. Ele usa a linguagem da relação (Pai e Filho) para curar a mente e prepará-la para a Verdade última.

    Nisargadatta começa onde o UCEM termina. Ele está do outro lado da porta, descrevendo a realidade que se revela quando o sonho da separação termina.

    Portanto, não há uma contradição real, mas uma evolução na compreensão:

    1. Primeiro, você se reconcilia com a ideia de um Deus amoroso como seu Pai (UCEM).
    2. Depois, você percebe que essa relação Pai-Filho era um estágio necessário, mas que, na Realidade Última, você e o Pai são Um. A Fonte e a Emanação são a mesma Essência. “Eu e o Pai somos um.” (João 10:30).

    Em última instância, “Deus nos criou” é a verdade relativa para a consciência individual. “Eu sou Deus” é a verdade absoluta para a Consciência Una. O UCEM é o mapa para a jornada de volta para casa. Nisargadatta é a descrição da casa que você sempre foi.

  • Did God Create Us, or Am I God? The Bridge Between ACIM and Nisargadatta.

    Did God Create Us, or Am I God? The Bridge Between ACIM and Nisargadatta.

    This is one of the most profound questions a spiritual seeker can ask. On the surface, the statements “God created us” (UCEM) and “I am God” (Nisargadatta) seem to be a complete contradiction. However, they represent two sides of the same coin, or two different steps on the same ladder of spiritual realization.

    Reconciliation does not lie in choosing one and discarding the other, but in understanding the levels of consciousness or perspectives from which each teaching is offered.

    Let’s break this down:

    1. The A Course in Miracles (ACIM) Perspective: The Dream Level

    ACIM operates from the perspective of the ego’s experience, of the one who feels separate. It is a course for the “prodigal son” who believes he has left his Home.

    · “God created us”: In this context, “us” refers to the Son of God, a perfect, loving, and eternal creation, made in the image and likeness of the Creator. “Creation” is an act of the extension of God’s Love.

    · The Problem of Separation: A Course in Miracles explains that we believe in “original sin”—the small, crazy idea that we could separate ourselves from God. From there, the ego was created, and we, as consciousness, fell into the dream of duality, individuality, and the material world.

    · The Purpose of UCEM: It is to lead us to remember who we truly are (the Son of God) and to undo the belief in separation through forgiveness and miracles. It is a path back Home, to the Father.

    Summarizing the UCEM view: There is a Hierarchy of love: God (the Father) -> The Son (us, in our ultimate reality) -> The Holy Spirit (the Voice of God in our dream). We, as individual egos, are not God; we are His Creation, which has forgotten its identity.

    2. Nisargadatta’s Perspective (Advaita Vedanta): The Level of Ultimate Reality

    Nisargadatta speaks from the vantage point of final Realization, from the perspective of the Absolute (Brahman). He is not speaking to the character in the dream, but pointing to the Dreamer.

    · “I am God”: The “I” here is not the individual ego (the “I” that has a name, a job, a past). This “I” (with a capital “I”) is the Pure and Impersonal Consciousness (Atman) that is identical to the Absolute (Brahman). It is the Source from which everything emerges.

    · Non-Duality: From the absolute point of view, there has never been any separation. Creation, the world, individuals—all of this is an illusion (maya) that arises within this One Consciousness. You are not a drop in the ocean; you are the ocean itself, having a temporary experience of being a drop.

    · The Purpose of the Teaching: It is to have you investigate “Who am I?” until you discover that you are neither the body nor the mind, but the One who witnesses the body and the mind. It is an invitation to awaken from the dream of separateness and realize your true nature as Divinity itself.

    Summarizing Nisargadatta’s view: There is no creator and no created. There is only the One, the Self (Consciousness), which manifests as the apparent diversity of the universe. You are That.

    How to Reconcile the Two: The Journey of Awakening

    Imagine the following analogy:

    1. The Dream State (Ego): You are having a nightmare. In the dream, you are a small, frightened person being chased by monsters. In this state, you cry out for help from a “Savior” or a powerful “Father” who is outside the dream to wake you up. This is the UCEM. It is the manual within the dream that teaches you to ask for help from the Holy Spirit (the part of your mind that remembers the truth) so that you can wake up.

    2. The Waking Process: You begin to hear a voice (UCEM) saying, “This is just a dream.” You apply forgiveness, realize that the monsters aren’t real, and lose your fear.

    3. The Awake State (Realization): You wake up. Suddenly, you realize: “Ah! I wasn’t that little person in the dream. I was the dreamer!” All the characters in the dream, including the frightened version of yourself, were made of the same substance: your own consciousness. The person in the dream and the God outside the dream were both your projections. This is Nisargadatta’s realization.

    The Synthesis:

    Stage Perspective Question UCEM’s Answer Nisargadatta’s Answer

    Dream (Ego) Duality “Who am I?” “You are the beloved Son of God, who deserves to return Home.” (Not addressed directly, as the focus is on waking up)

    Transition Forgiveness “What is my relationship with God?” “God is your loving Father. Separation did not happen.” “Inquire: Who is this ‘I’ that has a relationship? You are That.”

    Non-Dual Realization “Who am I?” (The Course is silent; its mission is complete) “You are God (Brahman). Everything is That. There is no other.”

    Conclusion:

    ACIM is a theistic and dualistic path that leads to the door of non-duality. It uses the language of relationship (Father and Son) to heal the mind and prepare it for the ultimate Truth.

    Nisargadatta begins where ACIM ends. He is on the other side of the door, describing the reality that reveals itself when the dream of separation ends.

    Therefore, there is no real contradiction, but an evolution in understanding:

    1. First, you reconcile yourself with the idea of a loving God as your Father (UCEM).

    2. Then, you realize that this Father-Son relationship was a stage

  • 21 de maio de 2026

    21 de maio de 2026

    O Mundo Como Sala de Aula

    Talvez o mundo não precise ser visto apenas como uma armadilha, nem como uma condenação. Ele pode ser visto como uma sala de aula temporária, onde cada encontro, cada conflito e cada perda revela aquilo que ainda acreditamos ser.

    Nisargadatta Maharaj dizia que o erro fundamental é tomar-se pelo corpo, pela mente e pela história pessoal. A partir daí nasce o medo: medo de perder, de adoecer, de envelhecer, de não ser amado, de desaparecer. Mas quando investigamos com honestidade, percebemos que tudo isso pertence ao personagem, não ao Ser real.

    Um Curso em Milagres usa outra linguagem, mas aponta para algo semelhante: o mundo pode servir ao ego ou ao Espírito Santo. Para o ego, o mundo confirma a separação. Para o Espírito Santo, o mundo se torna um lugar de perdão, isto é, de correção da percepção.

    Assim, a vida cotidiana deixa de ser apenas uma sucessão de problemas. Ela se torna um espelho. Aquilo que me irrita mostra onde ainda estou preso. Aquilo que temo mostra onde ainda acredito estar separado. Aquilo que quero controlar mostra onde ainda não confio.

    Não se trata de negar a dor humana, nem de fingir que nada acontece. O corpo sente, a mente reage, a personalidade se defende. Mas por trás de tudo isso há uma possibilidade: lembrar que eu não sou apenas essa reação.

    Cada situação pode perguntar silenciosamente:
    “Quem está sofrendo?”
    “Quem quer controlar?”
    “Quem precisa ter razão?”
    “Quem sou eu antes dessa história?”

    Quando essa pergunta é feita com sinceridade, algo se abre. O mundo continua aparecendo, mas perde um pouco de seu peso absoluto. A pessoa continua vivendo, mas já não precisa acreditar tanto em si mesma como entidade separada.

    Talvez a libertação comece assim: não fugindo do mundo, mas deixando de usá-lo como prova de que somos corpos isolados. O mesmo mundo que parecia prisão pode se tornar caminho. O mesmo conflito que parecia ataque pode se tornar convite.

    E então a vida comum — uma conversa, uma doença, uma espera, uma lembrança, um medo — pode se transformar em prática espiritual.

    Não porque o mundo seja a Verdade final.
    Mas porque, enquanto ele aparece, pode nos ensinar a olhar além dele.

    Gassho.

  • 21 May 2026

    21 May 2026

    The World as a Classroom

    Perhaps the world does not need to be seen only as a trap, nor as a condemnation. It can be seen as a temporary classroom, where every encounter, every conflict, and every loss reveals what we still believe ourselves to be.

    Nisargadatta Maharaj said that the fundamental mistake is to take oneself to be the body, the mind, and the personal story. From this mistake fear is born: fear of losing, of becoming ill, of growing old, of not being loved, of disappearing. But when we investigate honestly, we begin to see that all this belongs to the character, not to the real Self.

    A Course in Miracles uses another language, but points to something similar: the world can serve either the ego or the Holy Spirit. For the ego, the world confirms separation. For the Holy Spirit, the world becomes a place of forgiveness, that is, of corrected perception.

    In this way, daily life is no longer merely a sequence of problems. It becomes a mirror. What irritates me shows where I am still attached. What I fear shows where I still believe I am separate. What I try to control shows where I still do not trust.

    This does not mean denying human pain, nor pretending that nothing happens. The body feels, the mind reacts, the personality defends itself. But behind all this there is a possibility: to remember that I am not only this reaction.

    Every situation can silently ask:
    “Who is suffering?”
    “Who wants to control?”
    “Who needs to be right?”
    “Who am I before this story?”

    When this question is asked sincerely, something opens. The world continues to appear, but it loses some of its absolute weight. The person continues to live, but no longer needs to believe so strongly in itself as a separate entity.

    Perhaps liberation begins like this: not by escaping the world, but by no longer using it as proof that we are isolated bodies. The same world that seemed to be a prison can become a path. The same conflict that seemed to be an attack can become an invitation.

    And then ordinary life — a conversation, an illness, a waiting, a memory, a fear — can become spiritual practice.

    Not because the world is the final Truth.
    But because, while it appears, it can teach us to look beyond it.

    Gassho.

  • 20 de maio de 2026

    20 de maio de 2026

    O Silêncio Antes do “Eu Sou”

    Antes de qualquer pensamento, antes de qualquer história pessoal, antes mesmo da sensação de ser alguém, há um silêncio.

    Esse silêncio não é vazio no sentido comum. Não é ausência morta. É uma presença sem forma, sem nome, sem esforço. É aquilo que não precisa se afirmar para existir.

    Nisargadatta Maharaj apontava para isso ao nos conduzir ao sentimento “Eu Sou”. Primeiro, percebemos: eu sou. Antes de dizer “sou isto” ou “sou aquilo”, existe apenas a simples sensação de presença. Mas mesmo essa presença ainda aparece e desaparece. Ela nasce com a consciência e se recolhe no sono profundo.

    O Absoluto está antes disso.

    Em Um Curso em Milagres, encontramos uma linguagem diferente, mas um apontamento semelhante: a nossa identidade verdadeira não pertence ao corpo, ao tempo ou ao mundo da separação. O Filho de Deus permanece como Deus o criou. O que sofre é uma imagem aprendida, uma crença temporária, uma identificação com o que nunca fomos de fato.

    Enquanto acreditamos ser apenas uma pessoa separada, o mundo parece pesado. Tudo precisa ser defendido: o corpo, a imagem, a opinião, a biografia, o futuro. Há um enorme gasto de energia em sustentar o personagem.

    Mas há momentos em que algo relaxa.

    Não precisamos destruir o ego com violência. Basta ver que ele é apenas uma construção. Basta retornar ao simples reconhecimento: antes de qualquer papel, eu sou. E, mais profundamente ainda, antes mesmo do “eu sou”, permanece aquilo que jamais nasceu.

    O perdão, no sentido do UCEM, não é superioridade moral. É reconhecer que a separação nunca teve realidade última. A investigação de Nisargadatta também nos leva a esse ponto: aquilo que muda não pode ser o que somos.

    O corpo muda.
    A mente muda.
    As emoções mudam.
    O mundo muda.
    A própria consciência aparece e desaparece.

    Mas o que somos, em essência, não é tocado por essas mudanças.

    Talvez a paz não seja algo a ser conquistado. Talvez seja apenas aquilo que sobra quando deixamos de insistir em ser o que nunca fomos.

    No fim, não se trata de acreditar em uma doutrina. Trata-se de olhar, com honestidade e silêncio, para aquilo que já está presente antes de toda crença.

    Gassho.

  • 20 May 2026

    20 May 2026

    The Silence Before “I Am”

    Before any thought, before any personal story, even before the feeling of being someone, there is silence.

    This silence is not emptiness in the ordinary sense. It is not a dead absence. It is a formless presence, without name, without effort. It is that which does not need to affirm itself in order to exist.

    Nisargadatta Maharaj pointed to this by leading us to the sense “I Am.” First, we notice: I am. Before saying “I am this” or “I am that,” there is only the simple sense of presence. But even this presence still appears and disappears. It arises with consciousness and withdraws in deep sleep.

    The Absolute is prior to that.

    In A Course in Miracles, we find a different language, but a similar pointing: our true identity does not belong to the body, to time, or to the world of separation. The Son of God remains as God created him. What suffers is a learned image, a temporary belief, an identification with what we never truly were.

    As long as we believe we are only a separate person, the world feels heavy. Everything must be defended: the body, the image, the opinion, the biography, the future. A tremendous amount of energy is spent maintaining the character.

    But there are moments when something relaxes.

    We do not need to destroy the ego violently. It is enough to see that it is only a construction. It is enough to return to the simple recognition: before every role, I am. And even more deeply, before the “I Am” itself, there remains That which was never born.

    Forgiveness, in the sense of A Course in Miracles, is not moral superiority. It is the recognition that separation never had ultimate reality. Nisargadatta’s inquiry also brings us to this point: what changes cannot be what we are.

    The body changes.
    The mind changes.
    Emotions change.
    The world changes.
    Consciousness itself appears and disappears.

    But what we are, in essence, is not touched by these changes.

    Perhaps peace is not something to be achieved. Perhaps it is simply what remains when we stop insisting on being what we never were.

    In the end, it is not about believing in a doctrine. It is about looking, with honesty and silence, at what is already present before every belief.

    Gassho.

  • 19 de maio de 2026

    19 de maio de 2026

    O Silêncio Antes do “Eu Sou”

    Antes de qualquer pensamento, antes de qualquer história pessoal, antes mesmo da sensação de ser “alguém”, há uma presença silenciosa.

    Nisargadatta nos convida a permanecer no sentido “Eu Sou”, não como uma frase mental, mas como a simples certeza de existir. Antes de dizermos “sou isto” ou “sou aquilo”, existe apenas o fato puro: Eu Sou.

    Um Curso em Milagres aponta na mesma direção quando ensina que o mundo que percebemos nasceu de uma ideia de separação. O ego diz: “sou um corpo, sou uma pessoa, estou separado de Deus”. Mas o Espírito lembra: “você continua como Deus o criou”.

    Jesus, no UCEM, não nos pede para aperfeiçoar o personagem do sonho, mas para despertar dele. Nisargadatta, de outro modo, também nos diz: investigue quem é esse “eu” que sofre, deseja, teme e busca.

    Quando permanecemos quietos, vemos que o corpo aparece, os pensamentos aparecem, as emoções aparecem — mas aquilo que percebe tudo isso não aparece como objeto. É anterior. É silencioso. É livre.

    O sofrimento começa quando o puro “Eu Sou” se veste com nomes, memórias, culpas e medos. A paz começa quando deixamos de defender essa identidade separada.

    Não precisamos fabricar a Verdade.
    Não precisamos alcançar Deus como se Ele estivesse longe.
    Precisamos apenas reconhecer o que nunca foi perdido.

    Antes do corpo, antes do mundo, antes da culpa, antes da busca:
    há o Ser.

    E esse Ser não está separado de Deus.

  • 19 May 2026 The Silence Before “I Am”

    Before any thought, before any personal story, even before the feeling of being “someone”, there is a silent presence.

    Nisargadatta invites us to remain with the sense “I Am”, not as a mental phrase, but as the simple certainty of being. Before we say “I am this” or “I am that”, there is only the pure fact: I Am.

    A Course in Miracles points in the same direction when it teaches that the world we perceive was born from an idea of separation. The ego says: “I am a body, I am a person, I am separate from God.” But the Spirit reminds us: “you remain as God created you.”

    Jesus, in ACIM, does not ask us to improve the character in the dream, but to awaken from it. Nisargadatta, in another language, also tells us: investigate who this “I” is that suffers, desires, fears and seeks.

    When we remain quiet, we see that the body appears, thoughts appear, emotions appear — but That which perceives all this does not appear as an object. It is prior. It is silent. It is free.

    Suffering begins when the pure “I Am” dresses itself in names, memories, guilt and fear. Peace begins when we stop defending this separate identity.

    We do not need to manufacture Truth.
    We do not need to reach God as if He were far away.
    We only need to recognize what was never lost.

    Before the body, before the world, before guilt, before the search:
    there is Being.

    And this Being is not separate from God.