Antes de Qualquer Nome

Silhouette of a person dispersing into particles on a mountain at sunset

Antes de sermos alguém, somos.

Antes do nome, da história, do corpo, das lembranças e dos medos, há uma Presença silenciosa que simplesmente é. Ela não nasceu com o corpo, não envelhece com ele e não depende das circunstâncias do mundo para existir.

O erro fundamental é acreditar que somos aquilo que aparece na consciência: pensamentos, emoções, papéis, desejos, culpas, conquistas e fracassos. Tudo isso vem e vai. Mas aquilo que percebe a vinda e a partida permanece.

Nisargadatta apontava para esse reconhecimento simples: fique com o sentido de ser, com o puro “Eu Sou”, antes de qualquer definição. Não o transforme em filosofia. Não o cubra com explicações. Apenas reconheça: há existência, há consciência, há presença.

Um Curso em Milagres diz a mesma coisa por outro caminho: nada real pode ser ameaçado; nada irreal existe. O mundo do medo, da separação e da culpa parece muito convincente, mas sua força depende da nossa crença. Quando a crença é retirada, o sonho começa a perder sua autoridade.

A paz não precisa ser fabricada. Ela já está antes da agitação. O amor não precisa ser conquistado. Ele já está antes do julgamento. O Ser não precisa ser criado. Ele é aquilo que permanece quando deixamos de insistir em ser uma pessoa separada.

Talvez todo caminho espiritual seja apenas isto: a lenta desistência de fingir que somos pequenos.

Não somos o personagem que luta para voltar para Deus. Somos a lembrança de Deus surgindo no lugar onde parecia haver esquecimento.

Gassho.

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